GUIA
DE DOENÇAS
TENÍASE
/ CISTICERCOSE
Aspectos
Epidemiológicos :
O complexo
Teníase/Cisticercose constitui-se de duas entidades mórbidas
distintas, causadas pela mesma espécie de cestódio, em fases
diferentes do seu ciclo de vida. A teníase é provocada pela
presença da forma adulta da Taenia solium ou da Taenia saginata,
no intestino delgado do homem. A cisticercose é uma entidade
clínica provocada pela presença da forma larvária nos tecidos
de suínos, bovinos ou do homem.
- Agente
Etiológico: Taenia solium e a Taenia saginata
pertencem à classe Cestoidea, ordem Cyclophillidea,
família Taenidae e gênero Taenia. Na forma larvária
(Cysticercus cellulosae _ T. solium e Cysticercus bovis _
T. saginata) causam a teníase. Na forma de ovo a Taenia
saginata desenvolve a cisticercose no bovino, e a Taenia
solium no suíno ou no homem.
- Reservatório
e Fonte de Infecção: o homem é o único hospedeiro
definitivo da forma adulta da Taenia solium e da Taenia
saginata. O suíno ou o bovino são os hospedeiros
intermediários (por apresentarem a forma larvária nos
seus tecidos).
- Modo de
Transmissão: o homem que tem teníase, ao evacuar a
céu aberto, contamina o meio ambiente com ovos
eliminados nas fezes, o suíno ou o bovino ao ingerirem
fezes humanas (direta ou indiretamente), contendo ovos de
Taenia solium ou Taenia saginata, adquirem a
cisticercose. Ao alimentar-se com carne suína ou bovina,
mal cozida, contendo cisticercos, o homem adquire a
teníase. A cisticercose humana é transmitida através
das mãos, da água e de alimentos contaminados com ovos
de Taenia solium.
- Período
de Incubação: o período de incubação para a
cisticercose humana pode variar de 15 dias a muitos anos
após a infecção. Para a teníase, após a ingestão da
larva, em aproximadamente três meses, já se tem o
parasita adulto no intestino delgado humano.
- Período
de Transmissibilidade: os ovos de Taenia
solium e de Taenia saginata podem permanecer viáveis por
vários meses no meio ambiente, principalmente em
presença de umidade.
- Susceptibilidade
e Imunidade: a susceptibilidade é geral. Tem-se
observado que a presença de uma espécie de Taenia
garante certa imunidade, pois dificilmente um indivíduo
apresenta mais de um exemplar da mesma espécie no seu
intestino; porém não existem muitos estudos abordando
este aspecto da infestação.
- Distribuição,
Morbidade , Mortalidade e Letalidade: a América
Latina tem sido apontada por vários autores como área
de prevalência elevada. Schenone et al (1982) relataram
a existência de neurocisticercose em 18 países
latino-americanos, com uma estimativa de 350.000
pacientes. A situação da cisticercose suína nas
Américas não está bem documentada. O abate clandestino
de suínos, sem inspeção e controle sanitário, é
muito elevado na maioria dos países da América Latina e
Caribe, sendo a causa fundamental a falta de
notificação (OPS - 1994). No Brasil, a cisticercose tem
sido cada vez mais diagnosticada, principalmente nas
regiões Sul e Sudeste, tanto em serviços de neurologia
e neurocirurgia quanto em estudos anatomopatológicos
(Pupo et al - 1945/46; Brotto - 1947; Spina-França -
1956; Canelas - 1962; Lima - 1966; Takayanagui - 1980,
1987; Vianna et al - 1986, 1990; Arruda et al - 1990;
Silva - 1993; Silva et - 1994; Agapejev - 1994; Tavares -
1994; Costa-Cruz et al - 1995). A baixa ocorrência de
cisticercose em algumas áreas do Brasil, como por
exemplo nas regiões Norte e Nordeste, pode ser explicada
pela falta de notificação ou porque o tratamento
realizado em grandes centros, como São Paulo, Curitiba,
Brasília e Rio de Janeiro, dificultam a identificação
da procedência do local da infecção. Segundo dados da
Fundação Nacional de Saúde/Centro Nacional de
Epidemiologia (FNS/CENEPI 1993), o Brasil registrou um
total de 937 óbitos por cisticercose no período de 1980
a 1989. Até o momento não existem dados disponíveis
para que se possa definir a letalidade do agravo.
(Fonte:
Fundação Nacional de Saúde)