GUIA
DE DOENÇAS
TÉTANO
NEONATAL
Aspectos
Epidemiológicos :
O tétano
neonatal é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa,
causada pela contaminação do coto umbilical por esporos do
bacilo tetânico (Clostridium tetani), presentes em instrumentos
sujos, utilizados para secção do cordão umbilical ou em
substâncias usadas para cobrir o coto umbilical (teia de aranha,
pó de café, fumo, esterco etc).
O tétano
neonatal é uma doença praticamente eliminada nos países
desenvolvidos, mas continua sendo um problema importante de
saúde pública na maioria dos países em desenvolvimento. Em
muitos países o tétano neonatal é responsável pela metade de
todas as mortes neonatais e por 25 % da mortalidade infantil.
Em 1989 a
Assembléia Mundial da Saúde (AMS/OMS) aprovou resolução para
eliminar o tétano neonatal (TNN) do mundo até o ano de 1995. O
Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde
(CD/OPAS) adotou esta resolução neste mesmo ano. Para alcançar
essa meta a OPAS estabeleceu a estratégia de vacinação de 100%
de mulheres em idade fértil (MIF) de 15 a 49 anos que vivem em
áreas de risco para TNN.
O Brasil
assumiu essa resolução, elaborando um Plano de Eliminação
para encaminhar a estratégia proposta pela OPAS e desenvolver
sua ação no sentido de eliminação do agravo.
- Agente
Etiológico: o Clostridium tetani é um bacilo
gram-positivo, anaeróbico e esporulado. Os esporos são
relativamente resistentes ao álcool e a outros agentes
químicos e podem sobreviver de 10 a 15 minutos em
autoclave a 121ºC. Se não estão expostos à luz solar,
podem persistir no solo durante vários meses e anos. As
formas vegetativas são inativadas pelo calor ou
desinfetantes e destruídas por alguns antibióticos. O
bacilo produz várias toxinas, sendo a tetanopasmina
responsável pelo quadro de contrações musculares. Reservatório:
o bacilo se encontra no trato intestinal dos animais,
especialmente do cavalo e do homem, sem causar doença.
Os esporos estão presentes nos solos contaminados por
fezes (ou fertilizados com esterco), na pele, na poeira
das ruas, etc.
- Modo de
Transmissão e Transmissibilidade: o tétano não é
uma doença contagiosa, portanto não se transmite de um
indivíduo a outro. No tétano neonatal, também chamado
de Mal de Sete Dias, a infecção se dá por
contaminação do coto umbilical, geralmente decorrente
de cuidados inadequados, quando se utilizam substâncias
e instrumentos impróprios e contaminados com esporos,
como os já descritos anteriormente.
- Período
de Incubação: é o tempo transcorrido entre o
começo da infecção até o aparecimento do primeiro
sintoma, que geralmente é o trismo. É de
aproximadamente 7 (sete) dias, podendo variar de
03 a 28 dias. Quanto menor o período de incubação,
maior a gravidade.
- Suscetibilidade
e Imunidade: a suscetibilidade é geral, afetando
recém-nascidos de 03 a 28 dias de ambos os sexos,
indiscriminadamente. A imunidade do recém-nascido é
conferida pela vacinação adequada da mãe com
três doses de vacina com toxóide tetânico (DPT, DT, dT
ou TT). Os anticorpos maternos conferem imunidade
temporária, em torno de cinco meses, se a mãe foi
vacinada nos últimos cinco anos com pelo menos três
doses. O anticorpo da antitoxina materna circulante é
uma IgG. A doença não confere imunidade. O soro
antitetânico (SAT) e a imunoglobulina antitetânica
(IGHAT) propiciam imunidade temporária: sendo de
no máximo de 10 (dez) dias com o SAT, até 04 (quatro)
semanas com o IGHAT (100%) entre a quarta e oitava
semanas a imunidade cai para 84%.
- Distribuição,
Morbidade, Letalidade e Mortalidade: ocorre em todo o
mundo e é mais freqüente em regiões altamente
povoadas, em clima quente e úmido. É raro nos países
desenvolvidos onde são boas as práticas de pré-natal,
parto, puerpério e de imunização. Nos países em
desenvolvimento ocorre o contrário, ou seja, baixa
cobertura vacinal e cuidados inadequados à gestante, à
puérpera e aos recém-nascidos. A maior freqüência do
TNN é nos recém-nascidos de parto em domicílio e na
área rural. O número total de óbitos no mundo por TNN
ultrapassa 800 mil por ano. A taxa de incidência
anual de tétano neonatal no Brasil vem apresentando
uma redução a partir de 1985. A letalidade pode variar
de 50 a 80%, devendo ressaltar que este dado não é
homogêneo para todos os Estados do Brasil, podendo, em
alguns, chegar a 100%, dependendo da qualidade da
atenção médica e do período de incubação.
(Fonte:
Fundação Nacional de Saúde)