GUIA DE DOENÇAS

 

LEISHMANIOSE  VISCERAL

 

Características Clínicas e Epidemiológicas

É uma doença crônica sistêmica, caracterizada por febre e aumento do baço (esplenomegalia) e do fígado (hepatomegalia). A doença que antes era restrita às áreas rurais e silvestres, hoje já atinge centros urbanos de grande e médio porte. Todo caso de febre e esplenomegalia em área endêmica é um casos suspeito de leishmaniose visceral, devendo portanto ser investigado para confirmação, assim como também notificado no Sistema Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Por tratar-se de uma zoonose, as suspeitas de infecção do homem pelo parasita aumentam quando em áreas endêmicas e se for confirmada a existência de cães soropositivos ou doentes por LV próximos.

Sinonímia

Calazar, esplenomegalia tropical, febre dundun, entre outras denominações menos conhecidas.

Agente Etiológico

É causada por um protozoário da espécie Leishmania chagasi. O ciclo evolutivo apresenta duas formas: a amastigota, que é obrigatoriamente parasita intracelular em mamíferos e a forma promastigota, presente no tubo digestivo do inseto transmissor.

Reservatório

As raposas e os marsupiais, como o gambá, são reservatórios silvestres. No ambiente urbano, o cão é fonte primária de infecção. Os caninos podem ou não desenvolver os sintomas da doença, que são: emagrecimento, queda de pêlos, crescimento e deformação das unhas, nódulos ou ulcerações cutâneas; hemorragias intestinais, paralisia de membros posteriores, ceratite que pode evoluir para cegueira e desnutrição profunda. Como o cão é o principal reservatório, é preciso estar atento aos sinais e sintomas para a adoção de medidas de controle da doença.

Modo de Transmissão

Não há ocorrência de transmissão direta entre seres humanos. A transmissão ocorre por meio da picada da fêmea de flebotomineos infectada.

Período de Incubação

Varia de dez dias a 24 meses, com média entre dois e quatro meses.

Período de Transmissibilidade

No Brasil não há relatos de transmissão da infecção para o vetor a partir do homem doente. Em cães, mesmo assintomático, permanecem com parasitas na pele e consequentemente como fonte de infecção para o vetor.

Vigilância Epidemiológica

O Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral do Ministério da Saúde visa reduzir as taxas de morbi-mortalidade e letalidade, assim como diminuir os riscos de transmissão por meio do controle dos  reservatórios domésticos e dos insetos transmissores. Também deve ser feito o diagnóstico e o tratamento precoce da doença no homem.

Medidas Preventivas, de Controle e Recomendações

Medidas Preventivas:

Dirigidas ao homem: Estimular as medidas de proteção individual, tais como uso de repelentes, uso de mosquiteiros de malha fina, não se expor nos horários de atividade do vetor (crepúsculo e noite).

Dirigidas ao Vetor: Saneamento Ambiental. Desencadear medidas simples para reduzir a proliferação do vetor como limpeza urbana, eliminação de fonte de resíduos sólidos e destino adequado, eliminação de fonte de umidade.

Dirigidas a população canina: Controle da população canina errante. Nas doações de animais o exame sorológico deverá ser realizado previamente.

Medidas de Controle:

Dirigidas aos casos humanos: Organização de serviços de saúde para atendimento precoce dos pacientes, visando diagnóstico, tratamento adequado e acompanhamento dos pacientes.

Dirigidas ao controle do vetor: controle químico está indicado para as áreas com transmissão de LV que deverá ser programado.

Dirigidas ao controle de reservatório canino: Eutanásia canina é recomendada a todos os animais sororreagentes, ou seja, títulos a partir de 1:40 e/ou com exame parasitológico positivo.

Dirigidas as atividades de educação em saúde: As atividades de educação em saúde devem estar inseridas em todos os serviços e ações de controle da LV e requer envolvimento efetivo das equipes multiprofissionais e multiinstitucionais.

Recomendações: As recomendações para as atividades de vigilância e controle da LV, são especificas a cada uma das áreas de transmissão. Vide Manual de Vigilância e Controle da LV-2003 (
www.saude.gov.br/editora).

Notificação

O objetivo da notificação é propiciar a investigação epidemiológica e a identificação de novos focos da doença. A notificação é compulsória e feita por meio da ficha do SINAN (Sistema Nacional de Agravos de Notificação), sendo que todo caso suspeito deve ser notificado. O encerramento dos casos no SINAN devem ser realizados em um período máximo de 180 dias após o diagnóstico.

(Fonte: Ministério da Saúde).

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