GUIA DE DOENÇAS

HANTAVÍRUS

 

As viroses emergentes preocupam as autoridades sanitárias de todo o mundo. Fruto de alterações no ecossistema e dos comportamentos econômicos, sociais e culturais do homem, estas viroses surgem como importante problema de saúde pública tanto nas zonas rurais como nas zonas urbanas. O exemplo mais clássico de uma virose emergente, já hoje consolidado na humanidade, é a infecção humana pelo vírus HIV (AIDS) que atualmente atinge praticamente todos os territórios. Entre as viroses emergentes as que guardam especial preocupação são aquelas associadas com as febres hemorrágicas dado o seu caráter comumente letal e a capacidade de disseminação.

A seguir são apresentadas duas viroses que causam febres hemorrágicas.

Quadro 1- Espécies de Hantavírus, enfermidades que causam, principais reservatórios e sua distribuição geográfica

ESPÉCIES

ENFERMIDADE

RESERVATÓRIO PRINCIPAL

DISTRIBUIÇÃO DO VÍRUS

DISTRIBUIÇÃO DO

RESERVATÓRIO

Hantaan (HTN)

FHSR*

Apodemus agrarius

China, Russia, Coreia

Europa Central, ao sul de Tracia, e as montanhas Tien Shan. Do rio Amur através da Coréia até a China.

Tailândia (China)

FHSR

Apodemus flavicollis

Balcãs

Inglaterra e Gales, desde a Espanha, França e sul da Escandinávia, através da Rússia Européia até os Urais. Desde Itália aos Balcãs, Síria, Líbano e Israel.

Seul (SEQ)

FHRS

Rattus norvegicus

Mundial Ao redor do Mundo

Puumala (PUU)

FHSR

Clethrionomys glareolus

Europa, Rússia, Escandinávia Desde a França a Escandinávia até o Lago Baikal. Sul da Espanha, Itália, Balcãs, Turquia, até o Saara. Grã- Bretanha, Irlanda.

Sin Nombre (SN)

SPH**

Peromyscus maniculatus

EUA, Canadá, México

Desde o Alaska ao Canadá, parede continental do EUA, excluindo o sudoeste e leste da baixa Califórnia, Oaxaca no México.

New York (NY)

SPH

Peromyscus

leucopus

EUA

Parte central do EUA, Alberta, Ontario, Quebec, Nova Escócia, Canadá. Do Caribe até a Península de Yucatán no México.

Black Creek Canal (BCC)

SPH

Sigmodon hispidus

EUA

Nebraska, Virgínia, Península da Flórida, México, América Central (Panamá), Sul da América, (Norte da Colômbia e Venezuela).

Bayou (BAY)

SPH

Oligoryzomys

palustris

EUA

Do Kansas ao Texas, New Jersey a Península da Flórida.

Andes (AND)

SPH

Oligoryzomys longicaudatus Calomys laucha

Argentina

Chile e Argentina até os 50o latitude sul.

Por Nombrarlo

SPH

Calomys laucha

Paraguai

Argentina, Uruguai, Paraguai, Brasil.

Rio Mamore (RIOM)

Não reportado em humanos

Oligoryzomys

Microtis

Bolívia

Brasil, entre os rios Solimões e Amazonas, continuando nas terras baixas do Peru, Bolívia, Paraguai e Argentina.

Punchana (1) (2)

Não reportado em humanos

Oryzomys sp

Perú

Loretu, Perú

Caño Delgativo

Não reportado em

humanos

Sigmodon alsoni

Venezuela

Venezuela

* FHSR: Febre hemorrágica com sindrome renal* SPH: Sindrome pulmonar por hantavirus

Tabela 1- Casos de Síndrome Pulmonar por Hantavírus diagnosticados nas Américas até abril de 1998.

País

Casos

Argentina

150 casos

Brasil

10 casos

Chile

27 casos

Canadá (até julho de 1997)

13 casos

EUA (até julho de 1997)

162 casos

Uruguai

3 casos

  • A Letalidade na Argentina gira em torno de 30 % dos casos, enquanto no Brasil dos 10 casos que ocorreram no período, 9 foram a óbito.
  • Para os dois tipos de Hantaviroses, o diagnóstico faz-se através de Imunofluorescência, Elisa e Soroneutralização. A confirmação se dá através de PCR e Imunohistoquímica de órgãos positivos.
  • Os principais objetivos da Vigilância Epidemiológica da HPS são:
    1. manter um sistema sentinela que permita atuar no sistema de saúde, com informação sistematizada, ágil e nos locais adequados;
    2. conhecer os indicadores epidemiológicos e fatores de risco associados à doença, a fim de direcionar ações adequadas de controle;
    3. estimular e direcionar ações de investigação epidemiológica visando um melhor conhecimento epidemiológico da doença e introduzir medidas de prevenção.
  • As medidas de prevenção e controle devem ser baseadas em manejo ambiental, através principalmente de práticas de higiene e medidas corretivas no meio ambiente, saneamento, melhorias de condições de vida e moradia, tornando as habitações e os campos de trabalhos impróprios à instalação e proliferação de roedores (antirratização) associados a desratizações focais, quando necessários.