GUIA DE
DOENÇAS
CÂNCER DE
PRÓSTATA
EPIDEMIOLOGIA
O câncer de
próstata é a segunda causa de óbitos por câncer em homens,
sendo superado apenas pelo câncer do pulmão. Para 2003,
estima-se a ocorrência de 32.240 casos novos e 8.230 mortes por
este câncer.
O aumento
observado tanto nas taxas de incidência como nas de mortalidade
pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos
diagnósticos, pela melhoria na qualidade dos sistemas de
informação do país e pelo aumento na expectativa de vida do
brasileiro.
Na maioria dos
casos, o tumor apresenta um crescimento lento, de longo tempo de
duplicação, levando cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ e
acometendo homens acima de 50 anos de idade.
FATORES DE
RISCO
Assim como em
outros cânceres, a idade é um fator de risco importante,
ganhando um significado especial no câncer da próstata, uma vez
que tanto a incidência como a mortalidade aumentam
exponencialmente após a idade de 50 anos.
História
familiar de pai ou irmão com câncer da próstata antes dos 60
anos de idade pode aumentar o risco de câncer em 3 a 10 vezes em
relação à população em geral, podendo refletir tanto fatores
hereditários quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de
risco de alguma famílias.
A influência
que a dieta pode exercer sobre a gênese do câncer ainda é
incerta, não sendo conhecidos os exatos componentes ou através
de quais mecanismos estes poderiam estar influenciando o
desenvolvimento do câncer da próstata. Contudo, já está
comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes,
grãos e cereais integrais, menos gordura, principalmente as de
origem animal, não só pode ajudar a diminuir o risco de
câncer, como também o de outras doenças crônicas não
transmissíveis.
SINTOMAS
Os principais
sintomas do câncer de próstata são o hábito de levantar
várias vezes à noite para urinar, dificuldades no ato de urinar
e dor à micção.
DIAGNÓSTICO
O diagnóstico
do câncer de próstata é feita pelo exame clínico (toque
retal) e pela dosagem de substâncias produzidas pela próstata:
a fração prostática da fosfatase ácida (FAP) e o antígeno
prostático específico (PSA, sigla em inglês), que podem
sugerir a existência da doença e indicarem a realização de
ultra-sonografia pélvica (ou prostática trans-retal se
disponível). Esta ultra-sonografia, por sua vez, poderá mostrar
a necessidade de se realizar a biopsia prostática transretal.
TRATAMENTO
A cirurgia é
o tratamento indicado para tumores localizados; ela é o método
com maior índice de cura, apesar do risco de causar impotência
ou incontinência urinária. A hormonioterapia e a radioterapia
reduzem o câncer, mas ele geralmente volta em alguns anos,
verificando-se também o risco de impotência com estes
tratamentos.
Nas fases mais
avançadas de desenvolvimento do tumor, impõe-se inicialmente o
tratamento com bloqueadores hormonais, pois sabe-se que a
presença da testosterona aumenta a formação de doença
metastática (fora do órgão inicial), principalmente em ossos.
CONTROVÉSIAS
SOBRE A DETECÇÃO PRECOCE DO CÂNCER DA PRÓSTATA
Entende-se por
detecção precoce do câncer da próstata o rastreamento de
homens assintomáticos por meio da realização do toque retal e
pela dosagem do PSA. Embora esses exames possam detectar o
câncer da próstata em seus estádios iniciais, as evidências
científicas não permitem concluir se tal detecção reduz a
mortalidade por esse câncer ou melhora a qualidade de vida dos
pacientes. Apesar da detecção e do tratamento precoces
prevenirem a progressão do câncer e o aparecimento de
metástases, também é provável que sejam detectados tumores
que teriam um crescimento muito lento e que não causariam
problemas à saúde do homem.
A morbidade
que se segue ao diagnóstico do câncer da próstata deve ser
avaliada, tendo em vista a freqüente ocorrência de
complicações irreversíveis, que afetam a qualidade de vida do
homem após o tratamento para esta doença. Até o momento,
existe pouca evidência para determinar a efetividade dos
tratamentos mais utilizados (cirurgia e radioterapia) quando
comparada à da observação vigilante, ou seja, o adiamento do
tratamento até que haja manifestações clínicas do crescimento
do tumor. Sugere-se que a cirurgia é eficaz na redução da
mortalidade e da progressão do tumor em homens cujo câncer foi
diagnosticado após o início dos sintomas. No entanto, ainda
não foi determinado se esse achado se aplica ao câncer da
próstata detectado durante um rastreamento populacional em
homens assintomáticos.
Deste modo, o
rastreamento de homens assintomáticos para o câncer da
próstata está associado a danos importantes, aqui incluídos os
freqüentes resultados falso-positivos dos testes disponíveis, a
ansiedade gerada por esses resultados, o número de biópsias
desnecessárias e as complicações potenciais do tratamento de
tumores que não iriam afetar a saúde do indivíduo. A relação
entre os benefícios (redução da morbidade e mortalidade) e os
danos anteriormente citados ainda é desconhecida.
Sendo assim, o
Instituto Nacional de Câncer - INCA/MS - recomenda que o
controle do câncer da próstata seja baseado em ações
educativas voltadas em primeiro lugar à população masculina,
alertando sobre os sinais e sintomas iniciais do câncer da
próstata, estimulando-os a procurar uma unidade de saúde tão
logo sejam notados; e aos profissionais de saúde, atualizando-os
sobre os sinais de alerta para suspeição do câncer da
próstata e os procedimentos de encaminhamento para o
diagnóstico precoce dos casos.
Veja como se proteger
(Fonte: Instituto
Nacional do Câncer)